CONSTITUÇÕES  DA

ORDEM DOS CÔNEGOS REGULARES PREMONSTRATENSES

 

CAPÍTULO 1

 

NOSSA COMUNHÃO COM CRISTO, CONDIÇÃO INDISPENSÁVEL PARA A COMUNHÃO ENTRE OS HOMENS

NOSSA INSERÇÃO NA SOCIEDADE ATUAL

 

1. Vivemos envolvidos num processo de mudanças sociais profundas. Até ontem, vivia-se sob a influência de uma ordem de coisas mais estáticas, e hoje sofremos o influxo de uma concepção mais dinâmica e evolutiva. Nasce dai um complexo problemático, a exigir de nós novas análises e novas sínteses[1]. Continuamente somos obrigados a adaptar a nossa vida - tanto individual como social - a novas situações.

Incitados pela autenticidade e pela sinceridade, examinamos e submetemos as instituições e estruturas sociais e eclesiásticas às críticas, de que não fogem, nem mesmo, as estruturas longevas de nossa Ordem, as quais conseguiram sobreviver até hoje. Nós examinamos se nelas há algo que aproveite para a nossa vida pessoal e social de hoje, com maior força, o que não se trata de fenômeno exclusivo deste tempo, mas inerente a própria natureza humana.

 

2. Com efeito, desde a sua geração o homem, como pessoa, é inserido na sociedade humana. Deste fato, a primeira vista, assim simples, deriva a tensão inerente à nossa vida. Deste caráter, individual e social, origina-se o anseio de nos afirmar tanto como pessoas, por escolhas cônscias e livres, como de inserir-nos na sociedade humana. Tal inserção somente será autêntica quando realizada por doação de personalidade adulta. A doação pessoal e o desenvolvimento social são interdependentes2: o equilíbrio entre pessoa e sociedade deverá sempre ser procurado. Portanto se dominado pelo egoísmo e pela soberba, o homem quiser afirmar-se somente a si mesmo mais que de direito, vai alienar-se da sociedade. Se, pelo contrário, for obrigado por relacionamentos interpessoais e por instituições, a renunciar aos valores pessoais essenciais, a sua faculdade de se afirmar como pessoa será prejudicada.

 

3. A pessoa adulta procura tal equilíbrio, escolhendo relações e instituições que satisfaçam às exigências contemporâneas, assegurem a identidade de todas as pessoas, e ofereçam, assim, aos homens a faculdade de uma convivência harmônica e consequentemente de se doar à comunidade para uma vida em plenitude. E deste modo que uma pessoa adulta se torna idônea para formar uma sociedade, enquanto ela mesma, a seu tempo, se forma e amadurece.

 

NOSSA INSERÇÃO NA FAMÍLIA HUMANA DE HOJE

 

4. A experiência pessoal nos diz, e os meios de comunicação o atestam, que os problemas e necessidades humanas, em toda parte, invadem a vida, exigindo nossa atenção. O mundo de hoje percebe sua unidade e a mútua dependência de seus filhos, a exigir de cada um a solidariedade. Apesar disto, está divido em partes opostas e em contínuos conflitos. Agudas dissensões políticas, econômicas, raciais e ideológicas se estabelecem[2]. Cada homem, cada grupo, cada nação, dificilmente consegue dominar seus interesses particulares e suas ambições. E assim que a família humana continua, de fato, desunida.

 

5. Entretanto cresce a persuasão de que os imensos recursos da técnica e da cultura podem e devem ser colocados ao alcance de todo o gênero humano. Preocupado consigo mesmo e com seu próximo, o homem moderno sente a necessidade de superar os obstáculos que nascem do desequilíbrio do próprio homem, da sociedade e das nações, para que se possa finalmente realizar a verdadeira comunidade universal. Vai crescendo cada vez mais entre os homens, indivíduos, grupos e nações, o desejo de formar entre si uma só comunidade. Por isso, multiplicam-se os movimentos, as associações e várias convenções internacionais, no intuito de realizar esta sã socialização. Porém, a verdadeira união entre os homens deve ser promovida, não tanto pela distribuição justa dos bens materiais, como pela mais íntima comunhão entre as pessoas.

 

6. Movido pela fé, o povo de Deus esforça-se por discernir nos acontecimentos, nas exigências e nas aspirações de nossos tempos, hoje considerados como “sinais dos tempos”, em que participa com os outros homens, quais sejam os sinais verdadeiros da presença ou dos desígnios de Deus. A fé, com efeito, esclarece com nova luz a inserção dos homens na sociedade, suas aspirações e esforços para instaurar a fraternidade universal, e manifesta o plano divino sobre a vocação integral dos homens e por isso orienta a mente para soluções plenamente humanas.” Muito mais, o Senhor acompanha a vida de todos os homens, mesmo que não seja, por eles, explicitamente reconhecido[3].

 

UNS PELOS OUTROS EM CRISTO

 

7. Deus criou o homem, à sua imagem e semelhança (Gn. 1,26), segundo à sua própria essência que é caridade (Jo. 4,8). Deus nos chama para participar da bem-aventurança da unidade e do amor que nEle se encontram. Para que a íntima união entre os homens e Deus se completasse, o mesmo Deus se fez homem, sem levar em conta os direitos da sua divindade e sua dignidade. Pois Deus veio para junto de nós, como um dos nossos, no Cristo, que “se aniquilou a Si mesmo assumindo a condição de escravo... humilhando-se a Si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso é que Deus O exaltou (Fi. 2,6-9).” Por sua ressurreição, Cristo transfigurou a sorte do gênero humano. “Primogênito entre muitos irmãos,... pelo dom do Seu Espírito, Ele instituiu entre todos aqueles que O recebem pela fé e pelo amor, nova comunidade fraternal, em Seu Corpo que é a Igreja. Nele, todos, membros uns dos outros, segundo a diversidade de dons que lhes são concedidos, devem ajudar-se mutuamente[4].

 

8. Assim, Cristo, sendo rico, fez-se pobre por causa de nós (2Cr. 8,9), tornando-se escravo. “Em vez do gozo que se oferecia a Ele, suportou a cruz” (Heb. 12,2), os que o pecado dispersara, por amor reuniu.

Esta opção do Cristo deve ser a opção da Igreja, a opção de cada um de nós. Cristo mostrou- nos com sua vida, o caminho da existência humana, mandando-nos viver do mesmo modo. “Quem dentre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo. Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de muitos” (Mt. 20,27-28).

 

9. Quem quiser ser discípulo de Cristo, deve morrer, como o grão de trigo, por amor, para produzir muito fruto, senão vai ficar sozinho (Jo. 12,24).

Participando do mistério da morte e da ressurreição de Cristo pela fé e pelo sacramento da fé (batismo), é preciso que tenhamos em nós, os mesmos sentimentos que haviam em Cristo Jesus (Fl. 2,3). Esvaziando-nos e ultrapassando-nos a nós mesmos, rompamos com nosso egoísmo, e vivamos para Deus e para os irmãos.

 

10. Somente assim chegaremos à verdadeira união ardentemente desejada por nossos corações, e pela qual Cristo pediu orando: “Para que todos sejam um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti. E para que eles também estejam em nós, a fim de que o mundo acredite que Tu Me enviaste” (Jo. 17,21).

 

UM SÓ CORAÇÃO E UMA SÓ ALMA EM DIREÇÃO A DEUS

(comunhão - koinonia)

 

11. Examinando os citados sinais dos tempos, às luzes da opção de Cristo e da primitiva tradição da Ordem Premonstratense, somos convidados a apresentar com criatividade fidedigna os valores espirituais do patrimônio da Ordem, sob forma atualizada de “comunhão eclesial” para os nossos dias.[5] O sentido exato desta comunhão é que julgamos oportuno apresentá-lo aqui resumidamente.

 

12. Comunhão quer significar uma ligação mútua entre as pessoas, em uma reciprocidade de serviço: comunhão é a nossa união interna, manifestada exteriormente.

Comunhão humana, já baseada na vontade do Criador, consiste na estima mútua, na confiança, na sinceridade, na fé, na responsabilidade mútua: em uma palavra, numa humanidade serviçal, que a caridade constrói (ICor. 13). Exprime-se por toda sorte de dedicação, de conselhos, de edificação e de respeito, assim como de diálogo, de informações, de consultas, de colaboração e de vida verdadeiramente comum.

 

13. Deus nos chamou para a comunhão de seu filho Jesus Cristo (cf ICor. 1,9). Mortos e ressuscitados com Cristo, somos todos um só no Cristo Jesus (cf. Gi. 3,28, ss.). O Filho de Deus feito homem sempre se oferece em prol de nosso desejo e esforço para realizar a comunhão, a fim de que, eliminado o pecado da divisão, pelo dom de seu Espírito, sejamos estabelecidos em uma nova comunhão fraterna que ele, sem cessar, procura construir com sua Igreja.

 

14. Colaborando com todas as nossas forças, a comunhão da Igreja se alicerça, cresce e se manifesta, porque todos e cada um somos movidos pelo Espírito de Cristo: A uma só fé, a uma só esperança, a amar ao Deus uno em três pessoas, e a participar dos mesmos sacramentos da salvação (comunhão nos sacramentos da fé).

A união com um só e o mesmo Cristo, nossa Cabeça nos céus, e com o colégio dos bispos e seu responsável, o Romano Pontífice, representante de Cristo na terra (comunhão com a hierarquia),

A agir dentro e fora como membros de um só povo de Deus e, por causa deste povo de Deus, e de acordo com esse único povo de Deus (comunhão dos santos - dos cristãos).

15. Desta unidade nasce nossa íntima ligação entre os membros, numa só comunhão que é animada e dirigida pelo Espírito Santo e é justamente isto que constitui o “um só coração e uma só alma em direção a Deus”.

Esta comunhão que é com Deus em direção aos irmãos, e com os irmãos em direção a Deus nos é dada, e ao mesmo tempo, no lugar em que nos encontramos, deve ser vivida por nós. Por isso exige-se de nós a prática constante da palavra do Senhor: “Quem perder a sua vida por causa de Mim, encontrá-la-á” (Mt. 10,39).

Esta união dos irmãos manifesta a vinda de Cristo, e produz muitos frutos de virtude apostólica (Jo. 13,35; 17,21) [6].

 

16. A comunhão da Igreja é “o povo reunido pela unidade do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” [7], na sua caminhada para Deus uno e trino, origem, exemplar e consumação de toda e qualquer comunhão humana e /ou cristã.

[1]GS 5.

[2]GS 4.

[3]GS 11.

[4]GS 32.

[5]PC 2.

[6]PC 15.

[7]S. CYPRIANO. "de Oratione Dominica" 23: PL 4.553.

CAPÍTULO II

 

NA IGREJA DE CRISTO ENCONTRAMOS A COMUNHÃO COM DEUS NOS IRMÃOS

E COM OS IRMÃOS EM DEUS.

 

NOSSO LUGAR NA COMUNHÃO DA IGREJA DE CRISTO1

 

Eu, NN, oferecendo-me em doação, entrego-me à igreja NN.

 

17. Onde dois ou três estiverem reunidos em Seu nome, ali está Jesus no meio deles (cf. Mt. 18,20ss.). Os encontros naturais dos homens são sempre bem determinados, com sua forma humana, sua alegria, suas deficiências, sua cultura, suas aspirações e seus desejos.

Aí, nas diversas categorias humanas reunidas num único todo, o Espírito de Cristo evoca os homens na unidade da fé e da caridade. Esses homens, clérigos, religiosos e leigos reunidos numa igreja, constituem o povo de Deus num lugar determinado, como é a paróquia, centro de missão, escola, hospital. Tal congregação instituída por Cristo, como comunhão de vida, de caridade e de verdade, também por Ele é assumida como instrumento de redenção[2] volta-se para Deus e nEle se completa.

 

18. No dia de nossa profissão, cada um de nós, entrega-se a si mesmo a uma igreja determinada, na qual está em verdade a Igreja de Cristo, e, incorpora-se imediatamente a uma comunidade (canonia) da Ordem Premonstratense. As nossas comunidades orientam-se preferencialmente para que a prática da vida comum, assim como a comunhão da missão apostólica da Igreja de Cristo atuem não somente dentro de si mesmos, mas também fora: no povo de Deus e na humanidade toda.

 

NOSSAS COMUNIDADES

 

19. A entrega, na nossa profissão perpétua une-nos plenamente à comunidade dos irmãos. Deste consórcio estável, nossa comunidade se constrói como algo vivo e autônomo que já lançou profundas raízes na terra, através dos séculos...

Esta entrega total de nós mesmos ao povo de Deus, todos os dias é posta em prática, quer na casa principal (abadia), quer nas casas dependentes, ou nos outros grupos de irmãos. Na comunidade, enquanto nos ajudamos mutuamente e colocamos tudo o que é nosso em comum, cresce, pelas alegrias e aflições, aquele “um só coração e uma só alma” com que se edifica o templo de Deus[3].

Nossa comunidade deve ser o solo, a escola e a pedagogia cotidiana de ação a realizar a comunhão da Igreja de Cristo, não só dentro da comunidade, mas também fora, isto é, para com todos os membros do povo de Deus, para com todo mundo.

Quanto ao modo de escolha do apostolado, deve-se proceder em círculos, expandindo-se desde a abadia, priorado ou casa, como centro, de tal modo que nos dediquemos cada vez mais intensamente ao atendimento dos homens, como nosso costume, ou nosso modo próprio de ação, depois de razoável exame das necessidades do lugar ou da região. As maneiras concretas de que a comunhão se reveste para expandir-se para fora da comunidade, variam pela própria natureza das circunstâncias.

 

A COMUNHÃO COM O PRÓXIMO

 

20. Presentes nas paróquias e instituições, nossas comunidades estejam a serviço da realidade humana, da igreja do lugar e da região. Cultivem as relações humanas cristãs, prontas a colaborar na promoção da vida da igreja e na construção de uma sociedade mais humana.

 

A COMUNHÃO COM A DIOCESE E O BISPO LOCAL

 

21.Os aspectos humanos e cristãos da comunhão, cujo ápice se encontra na celebração da Eucaristia, devem-se refletir em nossas relações com o bispo local, com o clero e com os leigos do lugar onde moramos.

 

22. Consagrados à missão, ao mesmo tempo colegial e pastoral, estão, os presbíteros de nossas igrejas ligados, como num só bloco de fraternidade sacramental, aos outros membros do clero e ao bispo[4]. Pelo sacramento da ordem, e pela missão apostólica recebida do bispo, e mais ainda pela profissão canônica, cuja finalidade é incorporá-los em determinada igreja, constituem, por título mais profundo e peculiar, membros desse presbitério[5]. Por isso precisam ser, pela vida que abraçaram, fermento de comunhão entre os presbíteros diocesanos.

Também o apostolado dos irmãos conversos e das irmãs, para o qual já foram eleitos pelo Batismo e pela Confirmação, pela incorporação em determinada igreja, mais profundamente se insere na diocese[6].

No exercício do apostolado de nossas igrejas, sacerdotes e leigos, tanto religiosos como seculares mutuamente se completam. Nosso apostolado consiste numa radiosa ação organizada, da comunidade local do povo de Deus, antes que qualquer ação individual.

 

A COMUNHÃO UNIVERSAL

 

23. CRISTO, o Apóstolo de Deus (Hb. 3,1), pelo seu Espírito, nos faz participantes de sua missão. Mesmo sendo instalados num determinado lugar, para podermos exercer mais autenticamente aí a comunhão, mesmo assim, a missão de nossa igreja é universal: estende-se a todos, quer crentes ou não crentes, quer de perto ou de longe.

 

24. Pela isenção que ampara a organização interna de nossas Comunidades, assim como a unidade de nossa Ordem, é favorecida a fidelidade ao carisma, que consiste em estar a serviço das dioceses, das conferências episcopais e das missões.

Estando orientada para a comunidade, assim também deve a isenção ampliar a nossa solicitude para com as outras igrejas, e fortalecer nossa união com o colégio dos bispos.

Quando formos enviados a outra igreja, seja para ajudar, seja para uma fundação, é necessário que, respondendo ao carisma da Ordem, trabalhemos para lançar naquela igreja, raízes, sem preferência de pessoas ou grupos sociais, fazendo-nos amigos do povo, e aí mesmo exercendo o nosso apostolado, participando ativamente do ministério pastoral do bispo, unidos ao seu presbitério[7].

 

EXEMPLOS VIVOS DE COMUNHÃO

 

25. A vida segundo o Evangelho de Cristo e a instituição apostólica, a regra de S. Agostinho proposta por S. Norberto, e também a vida dos santos de nossa Ordem constituem exemplos vivos para o propósito de nossa vida.

 

26. A vida segundo o Evangelho que S. Norberto nos propõe, é: “seguir as escrituras sagradas e ter a Cristo por guia” [8]. Portanto, pregar o Evangelho, na pobreza; seguir os caminhos da abnegação, da doçura e da humildade; “carregar todos os dias, a cruz de Cristo” em espírito de penitência e completar na carne tudo o que falta ainda aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja (cf Cl. 1,24) [9], para que possamos viver com Cristo ressuscitado.

27. A vida apostólica consiste em, tendo o Espírito de Cristo como guia, ter também um só coração e uma só alma; ter tudo em comum; perseverar na doutrina dos Apóstolos; perseverando na oração comum em união com MARIA, MÃE DE JESUS; partir o pão com alegria, isto é, ter a Eucaristia como ponto central de toda a vida; dar testemunho da ressurreição de Jesus Cristo Nosso Senhor pela pregação, pela vivência e por toda espécie de apostolado (cf. At. 1,13-14; 2,42-47; 6,1-7, etc.). Esta vida apostólica seja o supremo valor que deve caracterizar toda a nossa vida.

 

28. Temos em Santo AGOSTINHO, o homem que perfeitamente compreendeu e realizou bem a vida apostólica. Em sua vida, com as ações e com a regra, vamos encontrar o modelo de doutrina e de vida que, pela caridade, nos conduz a Deus. A união fraterna, segundo ele, apoia-se na consciência e na experiência de que o próprio Deus está presente, tanto na comunidade, como em cada pessoa humana, e se manifesta em formas múltiplas de comunhão: de mentes, de corações, de bens, de orações, de coabitação, de cooperação, sob a orientação do superior, que está a serviço de todos.

Encontramos em comunidades de irmãos e de irmãs fundados por S. Agostinho, exemplos vivos de nosso ideal, principalmente na comunidade da igreja episcopal de Hipona, onde o clero, a exemplo dos Apóstolos, viviam a vida comum, assumindo as vitais tradições monacais: “e assim... quis também comigo um mosteiro de clérigos[10].

 

29. São NORBERTO, reformador da ordem canonical, nos confiou a vida apostólica como norma de vida. Ele mesmo, fazendo-se imitador dos discípulos de Cristo, viveu a VIDA APOSTOLICA numa fé corajosa, na verdadeira penitência, na pobreza voluntária, na pregação ardorosa da conversão, no cuidado atencioso dos pobres, enfim fazendo-se tudo para todos[11]. E este espírito de São NORBERTO que deve, cada vez mais, formar nossas mentes, costumes, ações, enfim, nossas vidas individuais e comunitárias.

 

30. Pela tradição de nossa Ordem observamos, de preferência, aqueles elementos de origem monacal que mais eficazmente exigem a comunhão, ou que, de fato, servem para promover autenticamente os valores cristãos e religiosos e a missão eclesial de nossas comunidades. Esses elementos, após cuidadosa reflexão em comum, devem ser adaptados às condições atuais da

comunidade local e de seus membros. Para alcançar sua finalidade, esses elementos devem ser interpretados num contexto canonical, e não monacal.

Devemos voltar continuamente ao modelo de VIDA APOSTÓLICA aqui apresentado, para que possamos continuamente renovar o espírito e animados por fé criativa exprimir com formas atualizadas os valores da vida apostólica, para cumprir melhor a nossa missão.

 

[1]Note-se o seguinte, a respeito dos termos empregados: ‘igreja de Cristo” (com 1 maiúsculo) significa o Mistério da Igreja”: “igreja, (com 1 minúsculo)”, tal igreja determinada ou legítima reunião de fiéis na qual. a Igreja de Cristo é verdadeiramente presente: o povo de Deus compreende “os clérigos, religiosos e leigos”: uma “comunidade” (religiosa, premonstratense, nossa)” significa um grupo ou reunião dos que professaram o nosso modo de vida: a palavra “comunhão” e suas várias significações serão explicadas nos números 12-16. O sentido de outros lermos mais usuais explica-se pelo contexto. Termos teológicos com várias significações são inevitáveis.

[2]LG. 9.

[3]Cf. S. AGOTINHO. Enarrationes in psalmos. 31.5. PL. 36.250.

[4]PO 7-8.

[5]LG. 28; Po 7-8; CD 28 et 34.

[6]Ag 3; CD 34.

[7]LG 45; CD 35 et 28.

[8]Vida A. Cap. 12.

[9]Sermão de S. Norberto. na Vida B. p. 262.

[10]S. Agostinho, sermão 355. 2; Da vida e dos costumes de seus clérigos. PL. 39.1570.

[11]Vida de S. Norberto B esporadicamente exalta as virtudes de S. Norberto: todavia, de modo especial, sua Fé (cap. 6) sua pobreza voluntaria (cp. 9, 10,13), sua pregação (cpp 7 e 13), seu espírito de penitencia (cpp 10, 12, 18). Sua vida apostólica e a imitação dos discípulos de Cristo (24, 13, 15) e seu cuidado dos pobres (25, 42).

CAPÍTULO III

 

A REALIZAÇÃO CONSTANTE DA COMUNHÃO EM NOSSAS IGREJAS

 

 

31. A comunhão da Igreja de Cristo deve encarnar-se concretamente em nossas igrejas. Embora esta comunhão seja um dom da graça, para que ela se verifique diariamente, é necessário que todos os membros de nossas igrejas, onde há diversidade de ministério, colaborem de acordo com os dons recebidos, para que ela se estabeleça[1].

Aqueles que, pelos votos religiosos se consagram às nossas igrejas, são chamados para, na vida comum, realizar a missão apostólica, vivendo a comunhão, tanto dentro quanto fora da comunidade. E, além disso, observem inteiramente o equilíbrio que há na comunhão com Deus, porque a autenticidade cristã e religiosa de suas vidas depende disto.

 

32. Para todos os que pertencem à nossa comunidade: “comum é a dignidade, nascida da regeneração de todos em Cristo; comum é a graça, da adoção filial; comum a vocação à perfeição, uma só salvação, uma só esperança, uma caridade indivisa”[2].

A diversidade de graças, de ministérios, de trabalhos, que nos distingue uns dos outros, não deve ser motivo de separação, mas de unidade, porque “isso tudo opera o mesmo e único espírito” (1Cor. 12,11).

 

33. Os leigos que pertencem a nossas igrejas, vivendo no meio do mundo e dos negócios seculares, são chamados por Deus para que, como fermento, exerçam seu apostolado no ambiente em que vivem[3]Alguns destes, que participam de diversas maneiras do nosso ideal, se unem de modo mais estreito às nossas comunidades.

 

34. De outro lado, muito peculiarmente se acham unidos a nós: os pais de nossos confrades, os quais ocupam o primeiro lugar entre nossos benfeitores, aqueles que colaboram conosco e nos prestam serviço em diversas necessidades da vida e do apostolado; os benfeitores e amigos da canonia. Nunca se esqueça o vinculo com a família dos confrades falecidos.

35. Há sacerdotes e também leigos de um e de outro sexo que, atraídos por alguma afinidade espiritual, procuram em comunidades de nossa Ordem, retiro ou lugar para certas atividades humanas e cristãs e assim, permanecendo na sua vida secular, tornam sua fé e atividade apostólica mais intensas; então querem estreitar com mais força a sua união com alguma comunidade da Ordem. Em cada uma dessas comunidades, estabeleçam-se normas adaptadas para essas atividades e união[4].

 

36. Leigos adultos de comprovada fé e piedade, que desejam viver a comunhão conosco, e querem entregar-se e doar-se a si mesmos e a tudo o que é seu a Deus, e a uma determinada igreja de nossa Ordem, podem ser aceitos como Donatos. Antes de alguém ser aceito como Donato, faça, no mínimo, um ano inteiro de provação. Perseverando no seu propósito, seja aceito pelo prelado, com o consentimento do conselho, à entrega e doação, que devem ser feitas sob forma de promessa a definir de comum acordo. Feita a promessa, a canonia é estritamente obrigada a prover o bem material e espiritual do Donato.

DOS MEMBROS DE NOSSAS IGREJAS

 

37. São religiosos da Ordem Premonstratense, aqueles que; renunciando ao direito à propriedade e ao matrimônio, entregam-se ás nossas igrejas pelos votos religiosos, para viver a Vida Apostólica em fraterna comunhão, seguindo os passos dos santos Agostinho e Norberto. Assim, nossa vivência se sustenta pela perfeita união e proporção dos valores cristãos e religiosos. E por este propósito de vida que todos os membros de nossa Ordem - irmãs, irmãos leigos, juniores, sacerdotes e todos os membros da Ordem se propõem a seguir, numa sã pluriformidade, este propósito de vida, aceita de acordo com a índole e graça de cada um.

 

38. As irmãs de nossa Ordem, de preferência se entregam à vida contemplativa, adaptada às exigências do mundo em que vivemos, como cônegas regulares levadas pelo espírito autenticamente apostólico, vivem em canonias “sui iuris”, e sua vida é regida por constituições próprias.

As outras congregações de irmãs que dedicam mais tempo às atividades externas, embora se revistam do mesmo espírito que os outros irmãos e irmãs da Ordem, sua vida é regida por constituições próprias.

Os irmãos leigos reunidos com confrades clérigos numa mesma comunidade religiosa, também condividem com os outros leigos, a responsabilidade humana e apostólica, para serem fermento de vida cristã, no meio do povo de Deus.

Os confrades juniores devem ser educados para ser plenamente inseridos na comunidade. Transcendendo sua generosa disponibilidade, preparando-se para construir a comunhão tanto dentro como fora da comunidade.

Os confrades sacerdotes são ordenados para exercer um ministério especial na Igreja: pois, membros do Corpo de Cristo, pelo sacramento da Ordem “são configurados com o Cristo Sacerdote, de forma a poderem agir, na pessoa de Cristo cabeça” [5] em prol do Corpo de Cristo que é a Igreja. “Exercendo, pela autoridade que lhes compete, o múnus de Cristo Pastor e Cabeça, congreguem eles a família de Deus, numa fraternidade que tenda para a unidade que conduz a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo”[6].

REALIZAÇÃO DA COMUNHÃO PELA PRÁTICA DE NOSSA PROFISSÃO

 

39. A fórmula da profissão perpétua é esta:

 

Eu, NN., oferecendo-me em doação, me entrego à igreja de N. e prometo a conversão de meus costumes e a vida de comunhão, principalmente na pobreza, no celibato consagrado e na obediência, segundo o Evangelho de Cristo e a instituição apostólica, segundo a regra de Santo Agostinho e as Constituições da Ordem Premonstratense, na presença de NN, prelado desta igreja, e, dos confrades[7].

 

A PROFISSÃO: “oferecendo-me em doação, e prometo...”.

 

40. Para que vivamos cada dia mais intensamente a consagração e também a comunhão fraterna própria da graça do batismo, associamo-nos livremente a determinada comunidade premonstratense.

A profissão exprime a entrega de nós mesmos: por um mesmo impulso de coração nos oferecemos a Deus e a uma comunidade que está a serviço do povo de Deus. A profissão não nos fecha dentro de nós mesmos, mas nos impulsiona, para que busquemos no exercício da amizade com os outros cristãos, o reino de Deus.

 

A CONVERSÃO DOS COSTUMES

 

41. Como somos incessantemente tentados a nos afastar de Deus e dos confrades, continuamente precisamos da conversão que professamos. Por isso, muito ajuda o pedido de perdão e o perdoar, assim como a prática da penitência. A caridade e--o serviço humilde sejam os sinais de nossa conversão. “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos” (1Jo. 3,14).

 

OS CONSELHOS EVANGÉLICOS E VOTOS

 

42. Ao entrar no mundo, Cristo disse: “Eis-me aqui, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb. 10,5.7) e assumindo a condição de servo, tornando-se obediente até a morte (Ef. 2,7ss.)”, pacificando tudo, pelo sangue da cruz. Cristo, ressuscitado de entre os mortos, continua, sem interrupção a executar a vontade do PAI no mundo, através da Igreja que é seu Corpo.

Nós, como membros da Igreja, devemos obedecer a esta vontade salvífica do Pai. Com fé e amor, percebemos a voz do Pai a convidar-nos, para, no celibato livre, nos devotar, de coração, a Deus e aos irmãos, e abraçar a pobreza voluntária por causa de Cristo.

Desde que nos consagramos, por voto, aos três conselhos evangélicos, nossa vocação e obrigação, vai ser a de dedicar-nos de corpo e alma, ao serviço de Deus e dos homens. Para podermos ser fiéis a esta vocação, devemos voltar continuamente nossos olhares para o caminho de Cristo apresentado no Evangelho e ao mesmo tempo, precisamos buscar as maneiras de pôr em prática, com toda transparência, estes conselhos, maneiras estas que sejam adaptadas às exigências de tempo e lugar. Assim, através de nossa vida, a Igreja possa, de fato, manifestar sempre melhor Cristo, tanto aos fiéis, quanto aos infiéis[8].

 

POBREZA

 

43. Pelo voto de renunciar ao direito de propriedade e de ter tudo em comum, deixamos tudo o que temos à disposição daqueles aos quais nos une a mesma profissão. Tudo o que for arrecadado pela comunidade, seja distribuído segundo a necessidade de cada um.

Também, tudo o que possuímos em comum, deve ser disposto às necessidades dos pobres. O Espírito de Cristo leve-nos a ser verdadeiramente solidários com os homens flagelados pela fome, pela indigência. Seguindo o exemplo de S. Norberto, nosso amor ao próximo, deve se manifestar na hospitalidade e atenção aos pobres[9].

Levadas em conta as circunstâncias de tempo e de lugar, cada membro, como a própria comunidade, deve dar testemunho de pobreza voluntária, abraçada por causa do Evangelho e espírito de colaboração, no modo de viver e morar, no trabalho seja lá de que natureza for, também no cumprimento de obrigações, para com a sociedade civil, enfim, com uma prudente administração dos bens temporais[10].

A verdadeira vida comum não deve constar só da obrigação de colocar coisas materiais à disposição da comunidade, conforme o dito de Adam Scot: “Saibas, portanto, que te entregaste e te doaste à igreja de Deus: em tudo que és, em tudo que sabes em tudo que podes” [11].

Por esta razão, seguindo o exemplo de Cristo, provaremos que tudo que o homem possui, mais ainda, tudo que ele é. está à disposição dos homens para atingir a felicidade deles com maior clareza mostraremos que o Reino de Deus instalado por Cristo vale muito mais do que todas as coisas criadas.

 

CELIBATO CONSAGRADO

 

44. Para que possamos corresponder com a nossa vocação de manifestar, já neste mundo, a presença dos bens do reino de Deus, e para que possamos prosseguir juntos, no propósito de vida comum que assumimos, aceitamos o celibato consagrado, que permite dedicar-nos plenamente a Deus e aos irmãos. Com fraternal predileção e a amizade na vida comum, também com solicitude para com os homens, é que o nosso celibato precisa revestir-se daquela forma humana que mostre o amor de Deus e aumente a nossa felicidade.

Devemos empenhar-nos, para que a nossa comunidade seja o ambiente onde cada confrade possa viver como pessoa madura e aperfeiçoar a sua personalidade. Enfim, todos e cada um dos irmãos estabeleçam entre si aqueles relacionamentos humanos, dos quais, a pessoa, como ser social necessita.

Mas, é preciso que saibamos que a vida no celibato inclui necessariamente cruz e sacrifício, mortificação e guarda dos costumes [12].

 

OBEDIÊNCIA

 

45. A nossa comunidade, na qual “se obedece ao superior como a um pai” [13], insere-se no mistério da obediência de Cristo, cujo alimento era fazer a vontade do Pai “para unir num só corpo, os filhos de Deus dispersos”(Jo 11,52). Por isso, todos dóceis ao Espírito de Cristo, sigamos a vontade do PAI e submetamos a própria vontade, por obediência, ao serviço de Deus e dos irmãos, para que na comunidade aumente cada vez mais, aquela união pela qual Cristo deu sua própria vida. A luz da palavra de Deus e do magistério da Igreja, a vontade divina se nos manifesta com as inspirações internas da graça; também pelo discernimento dos espíritos com o diálogo, pelas exigências da vida comum, e das constituições, pela orientação dos superiores, pelos exemplos dos confrades, pelos pedidos do nosso trabalho, pelos sinais dos tempos, e pelos acontecimentos da nossa própria vida.

 

46. Os confrades manifestem livremente aos superiores os seus desejos e dificuldades, seus dotes e suas limitações. Mesmo nas coisas que dizem respeito a toda a comunidade, delas tratem os confrades, com os superiores e com os outros membros, principalmente nos capítulos da canonia e da comunidade. A autoridade, porém de decidir e de prescrever o que deve ser feito[14], é dos superiores, aos quais cabe habitualmente, a última decisão, salvo os casos reservados por estas Constituições. Mesmo obedecendo, temos que tomar parte ativa no cumprimento da missão da comunidade.

 

47. Os superiores, por sua vez, exercendo o serviço da autoridade, ouçam os irmãos com atenção e benevolência, sanem as suas necessidades, a fim de que reine a confiança mútua que muito importa à promoção do bem-estar. Favoreça eles o operar criativo de cada um; comuniquem as novidades importantes a todos os confrades e procurem com eles, de forma unitária, os meios de conseguir mais facilmente as finalidades da comunidade.

 

SEGUNDO O EVANGELHO DE CRISTO E A INSTITUIÇÃO APOSTÓLICA

 

48. Com a nossa profissão damos a resposta à misericórdia de Deus que nos chama, para que, mortos ao pecado, porém, vivos para Deus (cf. Rm. 6,11), sigamos a Cristo, e mais depressa ainda, o imitemos, na comunhão fraterna selada pelos conselhos evangélicos. O ideal supremo de nossa vida religiosa é o caminho de Cristo ensinado no Evangelho [15].

49. A razão de nosso modo de viver inspira-se, principalmente, na vida da Igreja primitiva do tempo dos apóstolos, a mesma que, de certo modo o Senhor iniciou com a comunidade dos Apóstolos e de outros discípulos. (cf At. 1,13-14; 2,42-47; 4,3 1-35; 6,2-4; Mc. 3, l4ss.; Jo. 12,6; Lc. 9,1-6; 10,1-16 e11. e par.) [16].

 

 

SEGUNDO A REGRA DE SANTO AGOSTINHO E AS CONSTITUIÇÕES DA ORDEM PREMONSTRATENSE

 

50. São Norberto, porém nos adverte: “sem ordem e sem regra, e as instituições dos padres, é impossível observar plenamente os preceitos apostólicos e evangélicos” [17]. Estes subsídios, vamos encontrar na regra de Santo Agostinho e nas Constituições da Ordem Premonstratense: neles se inspiram e se organizam as comunidades da nossa Ordem para viver segundo o Evangelho de Cristo e a instituição apostólica.

 

PROFISSÃO E FELICIDADE HUMANA

 

51. Participando da alegria e da esperança dos homens, nós cremos na boa nova do reino de Deus. Pelo Batismo e pela profissão religiosa, comungamos com o mistério pascal de Cristo que, com o lenho da cruz trouxe a alegria ao mundo. Imitemos, pois, com perseverança os apóstolos, que viveram em uma profunda alegria, pela fé em Jesus Cristo, morto e ressuscitado por seus irmãos e vivendo sempre no meio deles [18].

 

DA COMUNHÃO ATUANTE DE NOSSA MISSÃO QUE CONSISTE DE TRÊS MINISTÉRIOS COMPLEMENTARES

 

52. Incorporados à vida da Igreja e ao ministério apostólico, convém que ponhamos em prática, na tradição do nosso dia-a-dia: o ministério da escuta e da pregação da palavra de Deus (múnus profético), ministério da celebração litúrgica e da santificação da ordem temporal (múnus sacerdotal) e ministério de edificação da comunidade na caridade (múnus régio).

Estes três ministérios que se completam mutuamente, nos responsabilizam, em nome de Cristo, pela vida do mundo. Cristo, Apóstolo da fé que professamos (Hb. 3,1), continua a exercer sua missão, isto é, seu ministério de Profeta, Sacerdote e rei, por meio de sua Igreja, tal e qual organismo vivo. Estes três ministérios que constituem o apostolado das nossas comunidades, “reúnem os homens em uma só comunidade” pela qual Cristo deu a sua vida (cf Jo 11,52).

 

DO MINISTÉRIO DA PREGAÇÃO E DA ESCUTA DA PALAVRA DE DEUS

 

53. “Nos tempos antigos, muitas vezes e de muitos modos Deus falou aos antepassados por meio dos profetas. Nos últimos tempos, falou-nos, por meio do Filho” (Hb 1,1-2). Cristo está presente em nossa comunidade pela sua palavra, à qual aderimos pela fé que nos une mais intimamente a Ele e aos confrades.

Escutando fielmente a palavra de Deus na liturgia e na leitura sagrada, nos dispomos a discernir o apelo de Deus nos acontecimentos e circunstâncias da vida humana, como também nos irmãos, principalmente nas suas dificuldades.

A sinceridade, a perseverança, a docilidade e o recolhimento favorecem-nos a ouvir a palavra de Deus em nosso íntimo, na vida da comunidade e em ambientes de diálogos. Paralelamente, nossas casas devem ser organizadas, para ser também lugar de silêncio, observado de comum acordo, de contemplação; de estudo assíduo e de diálogo fraterno.

 

54. Todos os membros da Ordem, unindo constantemente a contemplação ao apostolado, mostrem a todos os outros a palavra de Deus contemplada, através do testemunho de uma vida autenticamente cristã e religiosa; do mesmo modo, os confrades sacerdotes, além disso, pela pregação da conversão, pela educação, pela formação cristã e também pela santificação.

 

 

DO MINISTÉRIO DA CELEBRAÇÃO LITÚRGICA E DA CONSAGRAÇÃO DA ORDEM TEMPORAL

 

55. A palavra de Deus que ouvimos e anunciamos (múnus profético) torna-se mais presente aos homens, nos sacramentos da fé.

Os sacramentos são sinais e fontes da comunhão da Igreja. Pelo Batismo, incorporados ao Cristo morto e ressuscitado, tornamo-nos membros de Cristo; selados pelos sacramentos do Batismo e da Confirmação, somos convocados para a participação ativa e social na liturgia e na santificação do mundo; pela Eucaristia, nos tornamos “concorpóreos e consanguíneos”[19] do próprio Cristo e dos outros cristãos.

 

56. Como todo o povo de Deus, unido a Cristo, participa do sacerdócio comum, a celebração da Eucaristia e da Liturgia das Horas, às quais a comunidade dos cônegos regulares de modo especial se dedica, devem ser planejadas de modo que, todos os membros da comunidade, e também os fiéis presentes possam participar ativamente.

Para este fim é importante que todos os religiosos estejam harmoniosamente integrados à vida litúrgica de sua comunidade e que cada comunidade celebre a liturgia conforme suas características próprias, seguindo o princípio da sã pluriformidade.

Celebra-se a liturgia com seu rito próprio; ou na língua própria do rito, ou na língua vernácula, de acordo com os costumes locais legitimamente introduzidos.

 

57. A celebração com cânticos se for conveniente à natureza de tais preces e realce de maior solenidade, e mesmo de mais profunda união dos corações para dar louvores ao Senhor, é muito recomendável. Os cânticos devem ser preparados com atenção.

 

58. Em todas as nossas comunidades em meio ao povo de Deus, celebre-se diariamente a Eucaristia, à qual os religiosos participem como o ponto mais alto da comunhão[20]. “Nenhuma comunidade cristã se edifica sem possuir sua raiz e centro na Celebração da Santíssima Eucaristia: por ela, se inicia toda a educação para o espírito comunitário,” [21] Já que há um único pão, nós, embora muitos somos um só corpo, visto que todos participamos deste único pão” (1 Cor. 10,17).

 

59. Em cada canonia celebre-se regularmente a missa conventual, pela intenção da canonia, da Ordem e dos benfeitores. A concelebração “na qual temos a maior manifestação da Igreja, a mais nítida expressão da unidade sacerdotal, assim como do sacrifício de um único altar, em uma única ação de graças,” [22] é recomendada insistentemente, nas casas e comunidades onde haja muitos sacerdotes[23].

 

60. A oração eclesial, mesa da palavra e sacrifício de louvor, se une intimamente à celebração Eucarística. Com os salmos, os cânticos e intercessões diversas, a Igreja responde à palavra de Deus[24].

 

61. A finalidade da Liturgia das Horas é a santificação do dia e de toda atividade humana, assim sendo, o seu curso deve ser celebrado em nossas comunidades, na medida do possível, na correspondente e real hora do tempo, levando-se em conta, igualmente, as condições da vida atual[25].

 

62. Nas casas de nossa Ordem, a Liturgia das Horas, deve ser rezada no coro. A respeito da obrigação da Liturgia das Horas que devem ser rezadas de acordo com o calendário próprio, vigoram, por força do cân. 1174, par. 1. Para a nossa Ordem, as normas são as seguintes:

Na casa central, a oração da manhã e as vésperas da Liturgia das Horas, sejam os dois polos principais desta Liturgia, e tome-se todo cuidado para que estas orações não sejam omitidas, senão por grave causa[26]. Sendo possível, também o Oficio das Leituras, que é, por excelência, a celebração litúrgica da palavra de Deus. Para melhor santificar o dia inteiro, tenhamos o costume de rezar a hora média e o completório.

Segundo a tradição canonical da nossa Ordem, todos os membros da comunidade são responsáveis pela celebração da oração pública e cotidiana da Igreja[27]. As pequenas comunidades onde não é possível rezar diariamente a oração comunitária, recomenda-se a frequente oração em comum. Dedicando-nos inteiramente à oração (At. 6,4), louvamos ao Senhor e intercedemos pela salvação de todo o mundo[28].

Cada religioso, de profissão solene, deve rezar especialmente aquelas horas que são rezadas na sua comunidade, indicadas como obrigação para os clérigos, no Cân. 276 §2, n.3.

 

63. Chamados para rezar em comum, no entanto também devemos rezar ao PAI, em particular (cf Mt. 6,6). Contudo, em toda oração é de suma importância a virtude fundamental da fé, numa união íntima com Deus, vivendo com Ele em familiar companhia. Assim podemos e devemos sempre rezar.

 

64. Para todos os membros da comunidade, a escuta da palavra de Deus, a liturgia sacramental, a liturgia das Horas e oração pessoal, que são os elementos contemplativos de nossa vida, constituem uma forma eminente de apostolado e ainda a alma de todo apostolado.

 

65. Se professamos a conversão dos costumes, devemos colaborar com o Senhor Jesus, que realiza, esta conversão, nos sacramentos da Eucaristia e da penitência. Quando celebramos os mistérios da morte e da ressurreição do Senhor, morremos sempre mais para o pecado e vivemos mais para Deus e para os irmãos.

A Eucaristia pressupõe a concórdia humana. Se houver confrades precisando da misericórdia de Deus, por causa de discórdias, reconciliem-se entre si, antes de celebrar o Sacrificio (cf. Mt. 5,23-24).

E no sacramento da penitência, ao reconhecer a miséria de nossos pecados, e igualmente a misericórdia de nosso Deus[29], que nos é oferecida a paz multiforme de Deus e da Igreja, que deve, também, ser instaurada com os irmãos.

As celebrações comunitárias da penitência, as quais exprimem seguramente o aspecto social do pecado e da reconciliação, são recomendadas.

Pelo freqüente ato sacramental da penitência, que é preparado pelo exame de consciência, favoreça-se a necessária conversão de nosso coração para o PAI das misericórdias e para o seu amor, que nos une intimamente a Cnsto Salvador.

66. Por força de nosso sacerdócio comum, todas as nossas atividades, preces e iniciativas apostólicas, o trabalho diário, o descanso mental e corporal, nossa vida, sejam realizadas em união com o Espírito Santo, “mais ainda, se suportarmos com paciência as contrariedades da vida, serão transformadas em hóstias vivas, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo (cf lPd. 2,5), hóstias que são piedosamente oferecidas ao PAI com a oblação do Senhor, na celebração da Eucaristia”[30].

Assim consagramos o mundo a Deus. “E tudo o que vocês fizerem através de palavras ou ações, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando, por meio dEle, graças a Deus Pai” (Cl. 3,17).

 

DO MINISTÉRIO DA EDIFICAÇÃO DA COMUNIDADE ECLESIAL E HUMANA NA  CARIDADE

 

67. O fruto da palavra e dos sacramentos é a união visível e invisível dos filhos de Deus. Em primeiro lugar, a unidade do povo de Deus realiza-se pela celebração da Eucaristia. Para preparar esta unidade, é preciso promover e consolidar a experiência e as atividades pastorais dos sacerdotes juntamente com a ação dos leigos. A verdadeira união de uma determinada comunidade é o ápice do sacrificio cristão. “Este é o sacrificio dos cristãos: apesar de muitos, formamos um só corpo, em Cristo”[31].

 

68. O primeiro propósito apostólico de nossas comunidades consiste, antes de tudo, na promoção da unidade em Cristo, tanto interna como externa. Santo Agostinho ensina-nos que a comunhão de nossas comunidades deve extrapolar-se pela caridade que se estende a todos os homens.

 

69. No exercício da atividade pastoral, não temos todos iguais tarefas: “Pois assim como num só corpo temos muitos membros e os membros não têm todos a mesma função. De modo análogo, nós somos muitos e formamos um só corpo em Cristo, sendo membros uns dos outros”(Rm. 12,4-5). Portanto, toda nossa atividade pastoral deve ser colegiada.

 

70. As atividades pastorais de nossas comunidades devem ser inseridas no planejamento pastoral das dioceses e conseqüentemente exercidas de acordo com as normas estabelecidas pelos Ordinários do lugar. Em nossas relações com as igrejas não-católicas e com religiões não-cristãs, estejamos atentos às exigências ecumênicas.

 

71. Na escolha entre diferentes formas de apostolado, as canonias tenham em mente as carências mais urgentes da Igreja e do mundo atual. As nossas comunidades embora prestem seus serviços às dioceses em que estão instaladas, contudo estejam sempre dispostas também para o serviço da Igreja universal. Desde sua origem, nossa Ordem é marcada pelo espírito missionário de S. Norberto.

 

72. A missão de nossas igrejas não é somente a de anunciar a boa nova de Cristo e de sua graça aos homens, mas também, a de infundir e aperfeiçoar o espírito evangélico na organização das coisas temporais: de fato, a comunidade humana também deve edificar-se na caridade. Intimamente unidos com toda a família humana e seu desenvolvimento, na medida de nossas forças, devemos colaborar com todos os homens, para a construção de um mundo mais humano, e também, por este motivo, devemos ser fiéis ao grande mandamento de Cristo, de estarmos a serviço de nossos irmãos[32].

E preciso que as nossas comunidades sejam centros que irradiem a síntese da fé e da cultura. Cristo mesmo nos revela “que a lei fundamental da perfeição humana, e, portanto da transformação do mundo, é o mandamento novo do amor”[33]. O próprio Deus deseja reassumir em Cristo o mundo todo, para formar uma nova criatura, de maneira incoativa, nesta terra, levando-a à plenitude no último dia”[34].

 

DA PARTICIPAÇÃO DOS MEMBROS NA AÇÃO MISSIONÁRIA DA COMUNIDADE

 

73. Em nossas igrejas, nas quais os sacerdotes e os irmãos leigos formam uma só família religiosa, ‘ não obstante a unidade de missão, existe a pluralidade de ministério. Para o cumprimento desta missão, sacerdotes e leigos, tanto religiosos como seculares, completam-se mutuamente. Daí, no exercício das várias formas de apostolado haja um estreito corporativismo entre os sacerdotes e irmãos das nossas comunidades, com os outros sacerdotes e leigos[35].

 

74. “O imenso esforço, pelo qual os homens, tendem a melhorar as suas condições de vida material, social e cultural responde ao plano de Deus[36]. Conclui-se, daí, que compete aos confrades, animar os leigos para que assumam como sua própria missão, a instauração da ordem temporal, onde gozem sua autonomia, seus próprios limites, leis e defesa. Nós mesmos, onde quer que moremos, é necessário que, de acordo com as nossas possibilidades, amparemos os bens da vida e da família, as condições sociais, a cultura, a educação da juventude, a economia, a liberdade, a justiça e a paz, principalmente por aqueles homens que, por causa das diferenças sociais ou raciais vivem como que marginalizados da sociedade[37].

 

75. Interessa muitíssimo aos nossos confrades sacerdotes, que de livre vontade participam do ministério pastoral do bispo do lugar e, incorporados peculiarmente ao seu presbitério, que adaptem tal vida de participação e incorporação, numa síntese vital com a vida de comunhão.

 

76. Devemos procurar com meios acessíveis que os bispos conheçam bem o nosso modo de vida e de trabalho, assim como as comunidades de nossa Ordem; para que possam depositar em nós uma esperança segura, porque nos incorporamos a tal igreja com estabilidade; para que, a vida comum que é favorecida, fortificada e protegida pela isenção, seja reconhecida como elemento de grande importância para a igreja diocesana e encorajada com solicitude.

 

77. Considerando que a cura das almas faz parte integrante da missão de nossa Ordem, observadas as exceções particulares da vida de comunhão, esta pode ser confiada aos confrades apresentados pelo prelado, o qual, como presidente de uma comunidade determinada de sacerdotes, em colaboração com o bispo, inspira e coordena a ação pastoral de sua comunidade. Portanto, tanto o bispo quanto o prelado, prestem atenção aos compromissos da com’iniiade com a Igreja universal[38].

 

78. Os confrades incorporem sua ação pastoral à organização apostólica da diocese; observem as decisões dos que fazem parte da autoridade do bispo; colaborem com os outros membros do presbitério diocesano; estejam presentes às reuniões e diálogos; promovam da maneira que puderem, à comunhão entre os membros do presbitério. Por outros aspectos, recebam fraternalmente os hóspedes; sempre atentos aos exemplos de vida para os outros, e ainda a qualquer necessidade humana e espiritual de seus colegas; prestem atenção às conseqüências das coisas começadas e aceitas por todos e por cada um.

 

79. A vida comum dos confrades voltado ao trabalho apostólico pode revestir-se de formas variadas, dependendo do ambiente onde moram, se na própria abadia, em casas dependentes, em missões, ou em comunidades menores. Aqueles que no momento estão vivendo sozinhos, procurem formar uma comunidade com outros confrades. Os próprios superiores das casas desenvolvam relacionamentos mútuos entre confrades e comunidades.

 

80. Após um diálogo com o bispo diocesano, com toda prudência, deve-se procurar meios, pelos quais, membros do clero secular possam se interessar pelo nosso propósito de vida e permanecendo na própria diocese, possam estabelecer algum vínculo com a canonia de nossa Ordem e assim viver em comum.

Quanto aos membros do clero secular que pedirem incorporação plena em alguma canonia da Ordem, os prelados não os admitam ao noviciado canônico, sem primeiro consultar o próprio Ordinário, executando todas as exigências pedidas de direito[39]. Pela profissão perpétua são incardinados na canonia e excardinados da própria igreja particular[40].

Entretanto, se vários membros do clero secular da mesma diocese desejam incorporar-se plenamente a alguma canonia da Ordem, seja prudentemente investigado se, com o consentimento do Bispo diocesano, no seu mandato, convém ou não que uma nova fundação seja começada[41].

 

DA COMUNHÃO ATUANTE PELA PRÁTICA DA VIDA COMUM

 

81. O teor de vida de comunhão acima delineado é posto em prática em inúmeras realidades da vida cotidiana. Com esta finalidade, pela tradição canonical de nossa Ordem, guardemos aqueles elementos que facilitam com maior eficácia a comunhão, ou que servem, efetivamente, para a promoção dos valores autenticamente cristãos e religiosos, assim como à missão eclesial de nossas comunidades. E com esta finalidade que, após séria deliberação em comum, devem, pelo prelado, com o consentimento de seu conselho, ser adequados às condições atuais da comunidade local e dos confrades.

 

82. A VIDA COMUM E SUA ASCESE: A caridade, sobre a qual a vida comum se fundamenta, não procura o seu próprio interesse (cf ICor. 13). ela, segundo a Regra de Santo Agostinho, deve ser assim entendida: “Os bens comuns se anteponham aos próprios e não os próprios aos comuns”. Portanto, a prática da vida comum exige que coloquemos ao serviço do bem comum tudo o que somos e o que fazemos

Esta vida fraternal entre os irmãos encontra incessantemente sua expressão humana nas relações pessoais de amizade mútua, do serviço, da confiança, dos bons exemplos, do perdão e encorajamento.O espírito de sacrificio que plenifica a doação de si mesmo, se realiza no discernimento e aceitação da diversidade dos outros, suportando com paciência e renuncia os inconvenientes que acompanham habitualmente a vida comunitária e o cotidiano do trabalho em comum. A respeito da abstinência e do jejum, apliquem-se as leis da Igreja, as práticas da região e os costumes das casas[42].

 

83. OS EXERCÍCIOS COMUNS: Exercícios comuns, como morada comum, oração comum, a mesa comum, o trabalho e recreio comuns, cujo valor, pelos séculos de uso, foram aprovados, intenta aumentar a inserção dos irmãos na comunidade e reanimar a união fraterna entre os membros da mesma família.

 

84. O SILÊNCIO E A CLAUSURA: Algumas partes da casa devem ser reservadas como clausura, para a vida da comunidade e de cada um dos confrades. Na clausura convém que a tranqüilidade da casa e o silêncio favoreçam o trabalho, sobretudo intelectual, a leitura espiritual, a íntima união com Deus e o repouso necessário à vida de cada confrade em particular.

 

 

85. A HOSPITALIDADE: S. Norberto recomenda especialmente a hospitalidade e a assistência aos pobres[43]. Daí o dever de abrir os nossos corações e as nossas mãos, às necessidades dos homens, sobretudo, dos oprimidos, dos que sofrem qualquer espécie de doença ou discriminação. Nossas casas estejam abertas àqueles que procuram recuperar suas forças espirituais ou ao diálogo ecumênico.

 

86. O TRABALHO COTIDIANO: Providenciamos ainda, o sustento da comunidade, com nosso trabalho apostólico, manual, científico e social, submetendo-nos à lei comum do trabalho. “De tal sorte que ninguém trabalhe para si mesmo, mas todos os trabalhos sejam realizados em proveito da comunidade, e com dedicação e assiduidade maiores do que se fossem feitos para si mesmo[44].

 

87. A CAIXA COMUM: Diz a Regra: “Não estimeis nada como propriedade própria, mas seja tudo comum entre vós, e que seja distribuído a cada um... de acordo com suas necessidades”[45]. O caixa comum necessita que todos coloquem em comum o dinheiro que é recebido. Cada um receba uma soma em dinheiro, segundo suas necessidades e os usos locais.

 

88. A CIVILIDADE: O nosso relacionamento diário baseia-se no conselho do Apóstolo que nos ensina como deve ser: “com amor fraterno, tendo carinho uns para com os outros, cada um considerando o outro como mais digno de estima”(Rm. 12,10)[46].

 

89. HORÁRIO DA CASA: O horário da casa deve ser elaborado de tal modo que a vida e o trabalho da comunidade e dos confrades se equilibrem harmonicamente, e se favoreça a fidelidade ao serviço de Deus e dos homens.

 

90. O HÁBITO RELIGIOSO: O nosso hábito branco, recebido, como de costume, é um sinal tríplice de santidade de vida, de tradição da Igreja. e de unidade da Ordem. Deve ser usado de acordo com os costumes locais, particularmente para o culto litúrgico. Quando, por algum motivo, os confrades são impedidos de usar o hábito regular da Ordem, se adaptem aos costumes locais.

 

91. A ASSISTÊNCIA AOS ENFERMOS E AOS CONFRADES IDOSOS: Os confrades de idade avançada e os que não gozam de saúde, procurem identificar-se com Cristo que padeceu pela salvação do mundo. Enquanto pouco a pouco, com tal sofrimento vão se configurando com Cristo, ajudam, de sua parte, como podem, na construção da comunhão, devem ser animados pelos outros confrades com solicitude fraterna e atenção especial.

Os confrades que, por doença ou velhice, estão em perigo de morte, fortalecidos pela Unção dos Enfermos, preparem-se para a passagem para o Reino do Pai, por onde entrarão na plenitude do Mistério pascal.

A canonia toda deve dar, de coração, assistência aos doentes e aos confrades idosos. Os superiores devem providenciar com solicitude, que os confrades idosos ou doentes sejam convenientemente sustentados e bem assistidos.

 

92. SUFRÁGIO PELOS DEFUNTOS: Nossa comunhão com os confrades que repousaram na paz de Cristo, não é interrompida, mas pelo contrário, é fortalecida pela comunhão dos bens espirituais. Por isso, com muita piedade, devemos fazer memória dos defuntos, no altar do Senhor e orarmos por eles[47].

Todos os anos devem-se fazer dois serviços gerais pelos confrades, irmãs, familiares e benfeitores defuntos: um, depois da festa da apresentação do Senhor, outro, depois da festa da SS. Trindade. Em todas as comunidades, o prelado, em reunião com o seu conselho, determine os sufrágios a serem feitos nos diversos casos.

 

[1]GS. 32.

[2]LG.32.

[3]AA.2.

[4]A respeito da Ordem terceira, ver Protocollum Capituli Generalis, 1988. Ordinis Praemonstratensis, p. 112, 12.

[5]P0. 2.

[6]LG. 28.

[7]Cf. ORDEM DA PROFISSÃO O. PRAEM, aprovada pela Congregação para o culto divino, no dia 27 de abril dc 1987. Prot. 672187: v. Apêndice 1. Nas casas quasi-autônomas, a fórmula da profissão, de acordo com o decreto do Capítulo Geral de 1970, é a seguinte: “Eu. NN. oferecendo-me em doação, entrego-me à igreja NN. que depende da canonia tal. etc. “e no fim"… na presença do confrade N… superior desta igreja tal, delegado legítimo do abade tal, e dos confrades.

[8]LG.46.

[9]Vida B cap. 25

[10]PC. 13.

[11]ADAM PREMONSTRATENSE. De dignitate canonicorum, de habitu et de professione regulari. de canonica regula B. Augustini, Sermo 5, 7. PL. 198. 484.

[12]Cf. PC. 12.

[13]Regra de Santo Agostinho. VII. 1.

[14]Cf. PC. 14.

[15]Cf. PC. 5.1.2a: cf. esta Constituição. nn. 7-10: 26.

[16]Cf. Vita A cap. 6 no fim: e cap. 12: Vida B cap. 15.24.25.

[17]Cf. Vita A cap. 12.

[18]Cf. Apoio em parte em Mt. 18, 20: 1Cr, 8, 11 e Rm 14, 15.

[19]S. CÍRILO DE JERUSALEM, Catecheses Mvstagogicae. 4.3. PG 33. 1099.

[20]Cf. cân. 663§2.

[21]P0. 6: cf. 13.14: Pc. 6.15: LG. 41.

[22] Notitiae 11(1975), 287.

[23] "Quem já celebrou pro utilitate populi", pode receber a comunhão ou concelebrar na missa conventual cf. SC. 57. Cf. Apresentação geral do Missal Romano. 1970. Nº. 76 e n. 158d. Quem já recebeu a SS. Eucaristia pode receber novamente (somente uma segunda vez), no mesmo dia, mas somente dentro da celebração eucarística da qual participa. (cf. Cân. 917. salvo o prescrito do Cân. 9212: cf. também AAS. 76 (1984) 746.

[24]Cf. IGLH n. 12: cf. CD. n. 30.

[25]Cf. IGLH N: 11. prim. par.: cf. SC. n.88.

[26] cf. cân. 6633.

[27] cf. SC. 95.

[28]Cf. IGLH N 11, prim. Par.; cf SC, Nº 88.

[29]cf. S. Agostinho. Confissões, livro Xl. 1. PL. 32.809

[30]cf. LG. 34.

[31] cf. S.Agostinho. A Cidade de Deus. 10.6: P1. 41.284.

[32]Cf. GS. 34.

[33]GS.38.

[34] AA.5.

[35]AA.2.

[36]GS. 34.

[37]AA. 7

[38]A respeito do conlsato que se deve fazer entre a canoma co bispo local da missão. cf. cin. 681§2.

[39]cf. cân. 644.

[40]cf. cân. 268§2.

[41]Prot. Cap. Gen. 1988, p, 98 F.

[42]cf. Regra de Santo Agostinho. cap. 111: Const. Ap. Poenitemini. l7febr. 1966. III; Et in fine: cf. LG. 41.

[43]cf. Vida B cap. 25.

[44]Regra de Santo Agostinho. rap. V. 2.

[45]Regra de Santo Agostinho. cap. 1.5.Agostinho

[46]Regra de Santo Agostinho. cap. VII.

[47] Cf. LG. 49-50.

CAPÍTULO IV

 

O GOVERNO DA CANONIA

 

93. Reunir na unidade as mentes e os corações segundo a expressão: “caminhar para Deus com uma só alma e um só coração”, é sem contestação, a missão e a responsabilidade de todos que, em nossa Ordem Premonstratense, resolveram seguir a Cristo, e, na vida comum, engajaram-se em colaborar na edificação de Sua Igreja. Com esta comum obrigação, na qual todos os confrades das nossas canonias se unem, em virtude do princípio da colegialidade, presente nas normas ou dispositivos jurídicos que são estabelecidos justamente para favorecer e guiar a vida da canonia.

Os principais órgãos que devem animar e guiar a vida de cada canonia são:

 

O CAPÍTULO DA CANONIA, o qual, antes de tudo, como assembléia de ordem jurídica, com fraterno colóquio e em virtude de sua competência administrativa, trata dos problemas de interesse de toda a canonia, observando-se a forma e o âmbito da atividade capitular;

 

O CAPITULO DA CASA, que é o órgão, pelo qual a comunidade local realiza uma autêntica comunhão entre os confrades que ai vivem atualmente;

 

O PRELADO, que é membro e presidente do capítulo da canonia e que, com sua própria autoridade governa a canonia de acordo com as normas abaixo decretadas mais pormenorizadamente,

 

O CONSELHO DO PRELADO, que constituído, em parte, de membros designados por eleição do capitulo da canonia, participa ativamente do governo da canonia, juntamente com o Prelado, de acordo com as normas jurídicas estabelecidas pelo direito.

 

94. O capítulo da canonia só supera em autoridade o prelado e seu conselho, quando trata de matéria que, pela norma das Constituições, pertence exclusivamente ao capítulo da canonia reunido colegialmente. Nos demais casos, o capítulo da canonia não supera, em autoridade, o prelado e seu conselho. Porém, pode então dar-se o recurso, em devolutivo, ao abade geral, conforme o número 304 das constituições.

 

DO CAPITULO DA CANONIA

 

95. O Capítulo da canonia é a assembléia de todos os religiosos incoorados a essa canonia pelos votos perpétuos, e é um dos órgãos pelos quais a canonia, como pessoa moral autônoma se governa, dentro dos limites de nossa Ordem. Essa colegialidade que se baseia na co-responsabilidade de todos os religiosos da carionia e que se dirige para a própria missão da comunidade é posta em prática, pelo capítulo da canonia.

 

96. A particjpação do capítulo da canonia no governo da canonia pode ser feita de vários modos[1]:

 

                  1. por um ato colegial: incluído o prelado com igual direito, define, com maioria de votos alguma coisa;

                  2. por consenso: quando o prelado precisa do consentimento da maior parte do capítulo da canonia, para

                      agir validamente, neste caso, porém, o capítulo da canonia não pode obrigar o prelado a agir;

                  3. quando o prelado com seu conselho, pode ou deve ouvir a opinião do capítulo da canonia.

 

97. A participação do capítulo da canonia no governo da mesma, é necessária dentro dos seguintes casos:

 

a) O Capítulo da canonia deve agir colegialmente:

 

                  1. em todas as eleições definidas por ele (nn. 11 1,1 14, e 116);

                  2. na definição do modo de proceder do capítulo da canonia (n. 98);

                  3. para definir a duração do mandato do prelado a ser eleito e estabelecer o limite de idade, pelo qual,

                     o prelado a ser eleito deverá renunciar ao seu mandato (nn. 11 e 1 12,1);

                  4. para definir o número de membros do conselho do prelado, que deverão ser eleitos pelo capítulo

                      da canonia (n, 116);

                  5. para definir quais superiores, como tais, deverão ser membros do conselho (nn. 116);

                  6. para discernir quais os negócios, fora aqueles que são determinados pelo direito, que possam ser

                      confiados ao conselho do prelado (nn. 117);

                  7. para introduzir práticas próprias, a respeito de mandatos ou então de mandatários, conforme o

                      n. 267 (cf n. 98);

                 8. para esta belecer o grau de autonomia de casa filial (n. 287.8);

                 9. para petição de ereção da caronia ao estado de abadia (n. 290);

                 10. para reformar ou ab-rogar os próprios decretos (n. 332 e 100);

 

b) Requer-se o consentimento do capítulo da canonia:

                 1. para que o administrador, se for o caso, conforme o n. 245, possa resolver alguns negócios;

                 2. para que uma canonia, no caso de trânsito de uma canonia para outra da Ordem, receba o confrade

                     (cf n. 323).

 

c) O Capítulo da Canonia deve ser consultado:

 

                1. antes que seja flindáda uma nova casa dependente, ou também antes que uma casa dependente seja

                    elevada a nova canonia (n. 287. 2°, 3°);

                2. no caso em que, supressa uma canonia, a comunidade da mesma canonia se una com outra (n. 296).

 

O Prelado, em reunião com seu conselho, pode determinar mais depressa, se, em caso particular, não revisto pelo direito, exige-se o consentimento do capítulo da canonia, ou se basta uma simples consulta.

 

98. Compete ao capítulo da canonia propor questões a serem tratadas, e vigiar a execução dos decretos. As determinações a respeito do modo de procedimento do capítulo da canonia devem ser decretadas pelo próprio capitulo da canonia.

 

99. O capítulo da canonia deve ser convocado, pelo menos, uma vez por ano. Mais ainda, o prelado é obrigado a convocá-lo, cada vez que a quarta parte dos religiosos de profissão perpétua o exigir.

 

100. As decisões do capítulo da canonia obrigam a todos aqueles para os quais foram lavradas.

 

 

DO CAPÍTULO DA CASA OU DA COMUNIDADE

 

101. Além do capítulo da canonia que abrange todos os confrades de profissão perpétua da canonia, há ainda o capítulo da casa ou da comunidade, que se compõe de todos os confrades que vivem, efetivamente, em alguma comunidade (mosteiro, casa dependente, missão) ou em qualquer outro grupo de confrades.

102. Sendo o capítulo da casa, ou da comunidade, o órgão pelo qual a comunidade ou o grupo de confrades se esforça por realizar uma verdadeira comunhão entre todos os membros, este deve trabalhar ordinarianiente de modo fraterno, pondo em prática a preocupação e o cuidado para com todos e para com cada um. Quando for necessário executar um ato jurídico, proceda-se de acordo com as normas fixadas pelo capítulo.

 

103. O capítulo da casa, ou da comunidade, nas mudanças que deve realizar, goza do mesmo direito que o capítulo da canonia, de determinar o modo de procedimento, salvo o que é de direito próprio do capítulo da canonia.

 

104. O prelado preside o capítulo da casa do mosteiro, porém, nas outras casas, o superior.

 

105. Antes de mais nada, cabe ao capítulo da casa ou da comunidade:

          1. promover uma autêntica comunhão na comunicação das informações, no favorecer o bem comum, no

              cultivar o senso da responsabilidade comum, e no manifestar a preocupação sincera de realizar a vida

              comum,

          2. procurar os meios de organizar a vida de oração com a prática do apostolado,

          3. procurar, guiado pela experiência, os modos de levar a constituição à prática da vida,

          4. examinar os critérios e os modos que devem aplicar na admissão e formação dos candidatos,

          5. cuidar da saúde espiritual e corporal, de todos os confrades conforme a necessidade de cada um,

          6. preparar o material a ser tratado no capitulo da canonia,

          7. quando todos os confrades, pouco a pouco se habituarem a este fraterno diálogo, instalar o exame de

             consciência, de atividades, tanto da comunidade, como de cada um., e assim, pouco a pouco, introduzir a

             prática da correção fraterna;

         8. estabelecer os costumes locais.

106. Haja freqüentemente nas casas e nas comunidades, encontros e diálogos fraternos, anunciados com a devida antecedência aos confrades. Para não sufocar a espontaneidade, é conveniente evitar uma periodicidade muito rigorosa desses encontros. Portanto, convoquem-se os confrades para os diálogos, cada vez que os superiores o julgarem necessário, ou quando, determinado número de confrades (cujo número pode ser indicado pelo capítulo) o desejar. Todavia, o capítulo da casa deve reunir-se pelo menos quatro vezes ao ano, se possível, com a presença de todos os confrades.

 

DO OFÍCIO DE PRELADO

 

107. O prelado que é membro do capítulo da canonia e seu presidente deve presidir e animar a canonia a que governa. Igual a todos os confrades, como pessoa humana, o prelado se distingue pelo serviço do seu ministério, “dispondo-se, com alegria a servir pela caridade”[2]. Aquele que preside uma comunidade deve exercer o serviço da autoridade com solicitude pastoral, por palavras e exemplo, procurando, em primeiro lugar, o equilíbrio perfeito entre as pessoas e a comunidade, fazendo tudo pelo progresso espiritual e material de ambos.

Por isso, o prelado, com a colaboração ativa de todos e de cada um dos membros da canonia, promova a comunhão que os mesmos livremente professaram, dirigindo, exortando, e, se for necessário, prescrevendo.

 

108. O prelado, que, como Superior maior, é também o Ordinário de todos os religiosos de sua canonia, investido do poder de jurisdição, tanto para o foro interno, como para o foro externo, segundo as normas que regem o governo da canonia, realize tudo o que, pela sua autoridade, pode decidir, e também o que deve tratar e definir com o capítulo da canonia ou da casa, ou com o seu conselho.

109. Como presidente de uma comunidade presbiteral, o prelado seja o animador e coordenador do trabalho pastoral dentro do limite da ação apostólica da diocese.

 

110. Como prelado, pode ser eleito o sacerdote que completou trinta anos de idade, e pelo menos, cinco anos de profissão perpétua em nossa Ordem, e que seja dotado de qualidades que o tornem idôneo para governar a canonia para a qual for eleito.

 

111. O prelado é eleito pelo capítulo da canonia. É competência do mesmo capítulo, em reunião colegial, não só determinar, se o prelado receberá seu ministério por toda a vida, ou por tempo determinado, mas também, em ambos os casos, o limite de idade, no qual deverá pedir a renúncia do cargo. Caso se preferir um mandato por tempo determinado, o próprio capítulo deve decidir o número de anos, que ordinariamente, não deve superar doze, nem ser inferior a seis anos. Decorrido o tempo determinado, o prelado pode ser imediatamente reeleito.

 

112. Cada canonia decida a data precisa em que, antes da eleição, o capítulo da canonia determinará a duração do mandato do prelado a ser eleito, e também o limite de idade, no qual deverá pedir demissão.

O prelado que resolve pedir a demissão de seu cargo, seja por causa do limite de idade, seja por outras razões, entregue sua renúncia ao Abade Geral que, depois de ponderar maduramente o caso, com o conselho do definitório da Ordem, tomará as providências.

 

113. Quer seja eleito para toda a vida, quer por tempo determinado pelo capítulo da canonia, o Abade geral, no capítulo geral ou fora dele, com o consenso dos definidores da Ordem, pode declarar o fim do mandato do prelado, se, após uma visita canônica for verificado, com a devida certeza, que o prelado se tornou inapto a exercer o governo da canonia.

 

114. Se o prelado de alguma canonia, eleito para toda a vida, se tomar incapaz de arcar com todo o governo, e, por outro lado, por causa de circunstâncias particulares, julgar-se inoportuna sua resignação, o Abade geral, com o consentimento dos Definidores da Ordem, depois de uma investigação pormenorizada, concederá a este Abade, um coadjutor, com direito à sucessão. O Abade geral, com o consentimento dos Definidores da Ordem, poderá impor um coadjutor a um Abade, mesmo contra a vontade deste último. A eleição do coadjutor se faz segundo a norma para a eleição de um prelado na Ordem Premonstratense

 

DO CONSELHO

 

115. O Conselho do Prelado é um dos órgãos pelos quais a canonia se autogoverna, no âmbito da Ordem. O Conselho, agindo com o prelado, deve procurar o bem da canonia, naquilo que não é deixado para o capítulo da canonia. Por isso, o prelado e seu conselho devem prestar contas da administração ao capítulo da canonia.

 

116. Na formação do conselho do prelado se observe a paridade entre membros eleitos pelo capítulo da canonia e os membros nomeados pelo prelado. E o capítulo da canonia quem determina, por ato colegial, o número de confrades professos de voto perpétuo, e quais os superiores que, como tais devem ser assumidos como conselheiros.

 

117. Do mesmo modo, o capítulo determinará, por ato colegial, as questões que, além das que são previstas pelo direito, possam ser confiadas ao conselho.

 

118. O prelado deve agir colegiadamente com o conselho nos seguintes casos.

  1. na ereção (n.° 287.2° e supressão de casa dependente

  2. na ereção de casa dependente em nova canonia (n. 287. 3°)

  3. na petição do consentimento do abade geral, para a supressão de casa dependente

  4. na introdução de costumes que abranjam a toda a canonia;

  5. na introdução de modos adaptados de oração e apostolado, de alguma importância comunitária;

  6. na introdução de novos modelos de vida comum;

  7. na modificação da competência do capítulo da canonia, à norma do n.° 96;

  8. no estabelecer a ordem dos trabalhos no capítulo da canonia;

  9. na definição da pauta de trabalho do próprio conselho (num. 122);

  10. na determinação de, como e quando, um confrade que foi enviado para ajudar a canonia, possa participar das atividades capitulares (n. 243.1);

  11. na antecipação ou retardamento da eleição do prelado, conforme o teor do n. 265.

 

119. O Prelado precisa do consentimento de seu conselho[3]:

  1. para determinar o número dos superiores e dos oficiais (n. 125);

  2. para definir a natureza e os limites do poder de uma casa dependente (131);

  3. para a admissão de candidatos para o noviciado (n. 149);

  4. para a admissão dos confrades que vão fazer ou renovar a profissão temporária (nn. 161 e 163);

  5. para admitir de novo um confrade que, após o termino do noviciado ou após a profissão temporária, se afastou legitimamente da canonia (n. 165);

  6. para a admissão dos confrades aos votos perpétuos (n. 166.1);

  7. para determinar orientação de estudos dos confrades;

  8. para resolver vários problemas de administração, os quais necessitam de urgência (n. 245);

  9. para antecipar ou retardar eleições, como no n. 266;

  10. para determinar a quantia de dinheiro que o prelado não pode exceder com despesas extraordinárias (n. 273);

  11. para alienação e negócios, dos quais trata o cân. 638 § 3,

  12. para aprovar o balanço anual da administração dos bens (n. 278);

  13. para estabelecer as normas da administração dos bens (272 e 279);

  14. para reconhecer o inventário do patrimônio da canonia;

  15. para a construção de um novo edificio, operar uma demolição ou uma modificação no edificio;

  16. para a adoção de uma comunidade de canonia supressa, como no n. 296;

  17. para expulsão de religioso de votos perpétuos, em caso de grave escândalo externo ou de iminente dano gravíssimo à comunidade (n. 321);

  18. para a concessão de “transitus” propriamente dito para outra canonia (n. 323);

  19. para ser citado em juízo, em nome da canonia;

  20. para conceder moradia fora da casa da Ordem, que não deve ultrapassar um ano, a não ser por motivo de saúde, por razão de estudos ou de apostolado a ser exercido em nome da Ordem(n. 311);

  21. para determinar o tempo e o modo de provação, no caso de trânsito de outro instituto, para nossa Ordem (n. 322.3).

 

120. O prelado consulte o conselho:

 

a) Para a validade do ato:

  1. Para conceder confrades idôneos como auxílio às outras canonias, ou quando admite a estes, provenientes de outra canonia;

  2. Para excluir, por justa causa, à profissão subseqüente, terminada a profissão temporária, (n. 315).

 

b. porém, não para a validade do ato:

    1°) Quando nomeia confrades para determinado oficio, quer dentro, quer fora da canonia;

    2°) Em todos os empreendimentos de certa importância.

 

121. O prelado deve reunir seu conselho, pelo menos, de dois em dois meses, ou quando dois conselheiros o pedirem e, para que se proceda valiclamente, requer-se a presença da maioria dos conselheiros.

 

122. A pequena pauta da reunião do prelado, determina-se pelo próprio conselho.

 

123. Nas casas dependentes, o capítulo da casa pode exercer a função de conselho. Todavia, se parecer necessário, o prelado forme nas casas dependentes um conselho, de acordo com as normas estabelecidas para o conselho da canonia. Nas outras comunidades de confrades, pode-se proceder de igual modo.

 

DOS OUTROS SUPERIORES

 

124. Para que, no governo e no apostolado haja co-responsabilidade, o prelado deve nomear cooperadores, superiores e oficiais, com os quais possa trabalhar dentro do espírito de subsidiariedade.

 

125. Para determinar o número de superiores e oficiais necessários ao governo eficaz do mosteiro, nas casas dependentes, nas missões e nas obras do apostolado, o prelado consulte a opinião da comunidade interessada e peça o consentimento do seu conselho.

 

126. A função confiada a estes cooperadores será mais precisamente determinada, levando-se em conta as características da comunidade, do grupo ou da obra a que vão presidir.

 

127. O prelado nomeie esses superiores e oficiais conforme sua determinação, podendo, ao mesmo tempo estabelecer um termo, segundo o qual estes devem apresentar a demissão do cargo. Antes da nomeação de prior, de vice-prior, de circator e de superior regular, salvo o n. 125, consulte o parecer da comunidade interessada. Esta consulta pode ser feita, também, além da votação, de diversas formas de diálogo a ser instaurada pelo prelado com os confrades.

128. Para que possam desempenhar suas funções como convém, por força do princípio de subsidiariedade, recebam a devida faculdade para as exercer, em união com o prelado que é a cabeça de toda a canonia.

 

129. O prelado nomeie para o cargo de prior um sacerdote de profissão solene, com quem, de comum acordo, dirigirá os confrades. e a quem, na sua ausência, possa confiar, com segurança. o governo da casa. Ao prior também podem ser confiadas outras incumbências compatíveis com seu oficio.

DAS CASAS DEPENDENTES

 

130. Casa dependentes é aquela que, embora gozando de uma certa independência, faz parte integrante de uma canonia.

 

131 Segundo o princípio de subsidiariedade, as decisões e atos que podem ser assumidos por uma comunidade local, devem ser deixados para a decisão dessa mesma comunidade. Este mesmo princípio supõe a interdependência, cujo fruto é a construção responsável da comunhão interna e igualdade das boas relações com as outras comunidades. A partir deste princípio, o prelado deve determinar, com o consentimento de seu conselho, e após ter consultado a opinião do capítulo da casa dependente, e, se for o caso, o conselho do superior, a natureza e os limites de poder que convém atribuir a cada casa dependente, e documentar tudo por escrito.

 

132. Já que a estrutura da Ordem pressupõe a autonomia das casas, as casas dependentes que foram fundadas com a intenção de se tornarem autônomas, preenchidas as condições, adquiram a autonomia.

 

DAS QUASI-CANONIAS

 

133. Se a casa dependente tem oito membros de profissão solene, e progrediu a tal grau de autonomia que já possa ser promovida ao estado de canonia, e o capítulo da canonia em reunião colegial e por escrito tenha delegado ao superior e ao capítulo da casa dependente quase a universalidade das causas, então, o prelado da canonia, com o consentimento de seu conselho e consultado o capítulo da casa dependente pode determinar que esta seja elevada ao estado de quasicanonia. O reconhecimento de quasi-canonia pode ser concedido mais de uma vez pelo abade geral, com o consentimento dos definidores da Ordem.

Obtido o reconhecimento, já há dois anos antes do capítulo geral, o superior da quasi-canonia deve ser convocado para o Capítulo Geral, e o capítulo da casa tem o direito de eleger e enviar seu próprio delegado ao mesmo Capítulo.

 

134. Do mesmo modo que, para as casas estritamente filiais está estabelecido na constituição, no n. 287 § 8°, deve-se determinar, numa convenção a ser realizada entre o capítulo da canonia e a quasicanonia, os limites da autonomia, dos direitos e das obrigações dos membros que vivem na quasicanonia.

 

DO ABADE-FUNDADOR E DO PAI-ABADE DOS RELIGIOSOS

 

135. Para que as novas canonias possam harmoniosamente iniciar seu crescimento, é natural que as canonias fundadoras acompanhem, por algum tempo, as novas plantações, no seu crescimento. Assim, além das convenções particulares que regulam as relações entre a canonia-matriz e a filial, certos direitos e obrigações são conferidas ao abade fundador que, com toda evidência, com o auxílio de sua canonia, fundou a nova, ou recuperou uma perdida, assim, como ao pai-abade que lhe sucede imediatamente no governo da canonia.

 

136. O abade-fundador, de direito:

  1. deve ser consultado antes que a igreja-filial inicie nova fundação

  2. pode exigir, cada vez que quiser, que a situação da canonia-fihial, tanto nas coisas espirituais, como nas materiais, lhe seja submissa.

  3. tem o direito de fazer a visita regular, todavia, deve usar desse direito, somente por graves motivos e só nos anos marcados ordinariamente para as visitas;

  4. tem o direito de dar o seu parecer em todos os negócios de alguma importância;

  5. deve cuidar da igreja-filial vacante, presidir a eleição do novo prelado; e, em nome do abade geral, confirmar o eleito;

  6. tem o direito de conhecer os recursos e apelações dos religiosos da igreja-filial,

  7. deve dar o seu parecer sobre todas as despesas extraordinárias mais importantes e por toda, e qualquer ação que leve, como conseqüência, ao prejuízo da condição da casa.

 

137. O pai-abade, que sucede imediatamente o abade-fundador no governo:

  1. tem o direito e a obrigação de ratificar as convenções fechadas por seu predecessor com a canonia-fihial, ou, segundo as necessidades, de propor um novo contrato.

  2. tome conta da canonia-fllial vacante, e, em caso de impedimento do abade geral, presida a eleição do novo prelado.

 

DO PAI-ABADE E DO PREPÓSITO DAS IRMÃS

 

138. Sem a quebra dos vínculos oriundos da profissão e da comunhão de vida, as canonias de irmãs experimentam na pessoa do pai-abade, o traço de união, que une as irmãs isentas á Ordem. De fato, ao pai-abade, como superior externo, compete o serviço específico, determinado pela constituição própria para as irmãs, de conduzir a vida das irmãs segundo o carisma da Ordem, principalmente pela visita canônica. E também sua obrigação, com o consentimento da prioresa e seu conselho, e também consultada a comunidade, nomear um confrade como prepósito.

139. Compete ao prepósito que é também o reitor da igreja, o ministério espiritual das irmãs, e, com seus conselhos assistir a prioresa e seu conselho, nos assuntos tanto espirituais, como nos materiais, sem se envolver no governo interno da casa.

 

 

 

[1]Cf. também os Cân. 119 e 164-179 e também 127.

[2]Cf. Regra de S. Agostinho, cap VII.

[3]A Pontificia Comissão C.IC. interpretando autenticamerne. respondeu negativamente à seguinte dúvida: Sc. como está estabelecido pelo direito, o Superior precisar do consentimento de algum Colégio. ou grupo dc pessoas. para exercer ações. conforme o cãn. 127 1. o próprio Supenor 2oza do direito de voto com os outros. pelo menos para dirimir um empate”. t,AAS 77. I95. 771)